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Empreendedorismo

Empresárias vendem maiôs, pijamas e criam até grife para cães

A estudante de moda Leticia Mari Sumiyoshi, de Mogi das Cruzes, que sempre gostou de cachorros, decidiu unir o útil ao agradável depois que começou a faculdade. Ao perceber que as roupas para cães tinham pouca qualidade decidiu criar uma grife para pets em parceria com a mãe.

Já a costureira Suzy Esteves, que já trabalhava com peças para crianças, decidiu ampliar seu público-alvo e, depois de estudar a anatomia para cães, criou um maiô para cães. O conhecimento de Suzy veio de um curso de moda pet oferecido gratuitamente pela Prefeitura de Mogi e que tem sido bastante procurado. Muitas pessoas querem entrar nesse mercado que, apesar da crise, continua em crescimento. Em 2016, o faturamento do segumento aumentou 5,7%, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet).

No Alto Tietê, são 643 estabelecimentos focados no segmento pet e, segundo o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), os empreendedores estão percebendo que é preciso diversificar. Mônica Lemes Padovani, consultora de marketing do Sebrae no Alto Tietê, avalia que esse mercado está se diversificando. Ela diz que já recebeu empreendedores que estão investindo em produtos diferenciados, como pingentes e roupas mais elaboradas para pets. “A roupa para animais de estimação já existe e é bem básica, contando ainda com capa e cobertor. O mercado é bacana, mas é preciso analisar antes de se aventurar.”

Grife para pets

Leticia Mari Sumiyoshi Montenegro, de 21 anos, teve contato em 2009 com a confecção de roupas quando a mãe se dedicava à fabricação de vestuário para cães. Depois de pesquisar o mercado, ela decidiu apostar na moda pet. “Eu sempre gostei de cachorro e queria trabalhar na área de criação. Eu tenho uma cachorra e percebia que as roupas não tinham qualidade. Quando fui fazer faculdade de moda comecei a reparar em tudo. E na época fui pesquisar e descobri que o Brasil mesmo com crise foi o país que mais cresceu no mercado pet.”

Leticia chamou a mãe para trabalhar junto com ela e, desde o ano passado, as empreendedoras trabalham no desenvolvimento de uma linha para cães. As roupinhas vêm anexadas a uma coleira para garantir o conforto. “Primeiro pensamos em modelagem. Isso porque não achava as medidas certas para as peças, pois cada cachorro tem uma forma e tamanho. Depois de muita pesquisa criamos uma modelagem própria e fizemos peças pilotos. Algumas refizemos por causa do tecido e fomos evoluindo até as peças finais. Quando comecei no ano passado buscava uma grife para cachorros que ainda não existe no Brasil. É uma coleção pensada para o público A-B que é mais seletivo. Eu tenho amigos que compram grife, mas ainda não tem grife para cachorro no Brasil”, explica Letícia.

A grife já tem um site e páginas em redes sociais, mas as vendas iniciais são feitas para conhecidos das empreendedoras. Há dois meses elas estão vendendo as peças. “O público tem aceitado bem as roupas. Minha mãe vende as peças para clientes, embora o site já esteja no ar e funcione ainda como um canal de contato com os clientes.” As peças, embora voltadas para as classes A e B, tiveram os custos reduzidos para alcançar um número maior de clientes, afirmam as empreendedoras. Os valores dos produtos da coleção variam de R$ 69 até R$ 129.

Curso de moda pet

Em Mogi das Cruzes, muitas mulheres apostam no mercado PET como uma forma de ganhar dinheiro. Tanto que a Prefeitura mantém um curso de moda pet no Centro Municipal de Apoio à Educação de Jovens e Adultos (Crescer), da Secretaria Municipal de Educação, que tem sido bastante procurado. Nele, o aluno aprende a cortar, manusear e adaptar os moldes para os tamanhos dos cachorros.

A monitora do Crescer Regina de Toledo Santos garante que mesmo quem nunca costurou na vida sai do curso sabendo costurar as roupas para os cachorros. “Começamos a ensinar a costura desde o início mesmo. Muitos alunos chegam e nem sabem mexer na máquina. Então, colocamos os alunos para treinar na máquina, explicamos como ela funciona, como coloca a agulha, enche a bobina e como copiar o molde. Com o molde pronto, eles aprendem como medir o animal para aumentar e diminuir o molde. Tudo para o aluno sair e fabricar as peças e até mesmo, se quiser, montar um negócio.”

E se engana quem pensa que o curso ensina apenas roupas. Segundo a monitora, eles aprendem ainda a fabricar acessórios que podem ser usados pelos animais, como bandana, chapéu, gola e até mesmo caminhas e bolsas. O curso tem duração de 13 aulas com quatro horas de duração cada uma. “Temos homens e mulheres na turma, que está lotada. Eu não pensei que esse curso ia ter tanta procura. Mas a sala lotou e tem mais gente interessada. Metade da sala tem intenção em abrir um negócio próprio. Mas tem muitas alunas que vão aprender para costurar para os bichos dos netos.”

Da teoria para a prática

Suzy de Jesus Pereira Esteves sempre costurou para crianças. Mas as tentativas de fazer roupas para o cachorro dela não tinham resultado. Suzy afirma que tirar as medidas e adaptar o molde era algo complicado. Por isso, quando viu o curso de moda pet do Crescer se inscreveu.

A adaptação do molde ao tamanho dos cachorros foi uma das coisas que ela mais gostou no curso. “No total são 12 moldes em três tamanhos P, M e G. Então, a partir do momento que a gente aprende a trabalhar nessa adaptação do molde ao tamanho do cachorro vai ficando mais fácil costurar. É claro que tem outros desafios. Quando o cachorro é muito grande, por exemplo. Ou quando fiz um maiô para um cachorro. Eu tive que estudar a anatomia do cão para fazer a peça”, explica Suzy.

Com a propaganda dos clientes, ela vai conseguindo algumas encomendas. “Eu já fiz pijama para o cachorro e para o dono com o mesmo tecido. Também tem menina que pede um vestido para ela e outro igual para a cachorrinha. Eu entendo porque também tenho cachorro e gosto do bichinho como se fosse mãe dele.”

Até camiseta de time de futebol para cachorro Suzy já costurou. “Quem torce para um time quer que o cão também tenha camisa. O dono de um cachorro me pediu uma camisa do Santos para o bichinho. Para o meu cachorro eu já fiz do Corinthians.”

Mesmo pequeno, Suzy já notou um aumento na sua renda desde que começou a confeccionar roupas para pets. “Tive um aumento de 10% na renda. Isso porque ainda costuro para crianças. O maiô que fiz para um cachorrinho cobrei R$ 25. No curso fizemos uma tabela das peças que varia de R$ 15 a R$ 60. Esse mercado tem um problema que é a concorrência de peças importadas que são vendidas muito barato e não dá para concorrer. A gente costura com mais capricho e pensa sempre nos animais. Eu penso sempre em fazer uma roupa fácil de vestir no animal, porque tem modelos que eles não gostam, especialmente quando tem manga.”

Enquanto Suzy já colhe os frutos do que aprendeu no curso, a autônoma Nayara Bianca Passos de Siqueira dá os primeiros passos no mundo da moda pet. Ela começou o curso no Crescer neste ano. Embora, ainda não tenha tanto conhecimento Nayara já tem muitos planos. “Eu quero desenvolver uma linha de roupas para moda pet. Como tenho um pet shop com o meu pai e compramos roupas de fornecedores, se aprender vou poder costurar e vender os produtos na loja.”

A máquina ela já tem, porque a avó sempre costurou. Mas o desafio é aprender a costurar. “Me sinto muito confiante porque a professora passa segurança para a gente. Acredito que vou aprender muito nesse curso.”

A artesã Regina Paula também fez o curso de moda pet no Crescer. Para ela o curso ajuda a ter conhecimentos básicos, mas a prática exige adaptação da costureira. “Eu comecei a criar a partir do conhecimento que tive no curso. Mas é difícil acertar o tamanho da peça por mais que tenha molde. Tem que ajustar. Eu ia na casa da cliente tirar a medida do cachorro. Eu fiz até boné para cães”, conta Regina. Mas mesmo tendo encomendas no início, com a chegada do verão ela parou a confecção de roupas de animais. “Além de encomendas, eu vendi muito no pet shop de uma prima na Praia Grande. Mas isso foi no inverno. No verão percebi que as vendas caíram.”

Mercado

Na região do Alto Tietê, 643 estabelecimentos são focados no segmento pet. O número é do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Desse total, 538 se dedicam a comercialização de animais vivos, artigos e alimentação. Já 105 são para alojamento, higiene e embelezamento de animais.

A consultora do Sebrae Mônica Lemes Padovani destaca que para investir é preciso antes de mais nada conhecer o público-alvo que o empreendedor pretende atingir e saber onde ele está. “Também é preciso estudar com cuidado quem são os concorrentes e usar as ferramentas de marketing para fazer uma avaliação do negócio, além de uma pesquisa de mercado.” Para a consultora o mercado pet é bom para investir, especialmente porque vem crescendo a adoção de animais e a preocupação dos donos em dar a eles um tratamento melhor.

Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet), as projeções mais recentes, com base nas informações coletadas de janeiro a setembro de 2016, indicavam que o mercado pet nacional deveria chegar a R$ 19 bilhões em faturamento, crescimento de 5,7% em relação a 2015, quando fechou o ano em R$ 18 bilhões.

A entidade destacou que o pet food é o principal segmento da indústria nacional em faturamento, respondendo a 67% do total, e totalizando estimadas 2,59 milhões de toneladas produzidas em 2016. Em seguida vem o pet Serv (serviços), com 16,4%; pet care (equipamentos, acessórios, produtos de higiene e beleza animal), com 8,2% e pet vet (medicamentos veterinários), com 7,8% do faturamento total do mercado.

Mesmo enfrentando turbulências, a Abinpet destacou que o Brasil ainda é um dos principais países do mercado pet mundial situando-se em terceiro lugar, e representando 5,3% de um total de US$ 102,2 bilhões até setembro de 2016.

Fonte: G1 – Mogi das Cruzes